Junho 10, 2009

DESPENTEIE-SE

Ultimamente postei alguns textos, pensamentos, frases, que não eram meus, porém que se trataram diretamente ao meu momento GESTACIONAL.
E é com muita alegria e alívio que os 9 meses mais longos da minha vida estão completando-se = semana que vem a minha Isadora chega ao mundo!! Graças a Deus, amém!!
Muitas coisas mudaram, e mudarão mais ainda, e isso é maravilhoso. Novos desafios, novas emoções, enfim, uma vida nova para minha família (eu, Xandy e Isa) e claro, para os demais familiares e amigos, que também estão super felizes com a chegada da nossa pequena.
Não sei quando vou estar “disponível” para postar novamente, pois a Nine Super Mãe vai agir 100% nestes 120 dias de licença maternidade, então, posto agora um texto que adorei, e reflete bem o que eu penso da vida, em relação as coisas “muito certinhas”...
Leiam, e tomem suas conclusões!
(*Jeanine de Moraes)

DESPENTEIE-SE
Hoje aprendi que é preciso deixar que a vida te despenteie, por isso decidi aproveitar a vida com mais intensidade... O mundo é louco, definitivamente louco... O que é gostoso, engorda.
O que é lindo, custa caro. O sol que ilumina o teu rosto, enruga. E o que é realmente bom dessa vida, despenteia... - Fazer amor, despenteia. - Dar gargalhadas, despenteia. - Viajar, voar, correr, entrar no mar, despenteia. - Tirar a roupa, despenteia. - Beijar a pessoa amada, despenteia. - Brincar, despenteia. - Cantar até ficar sem ar, despenteia. - Dançar até duvidar se foi boa idéia colocar aqueles saltos gigantes, deixa seu cabelo irreconhecível... Então, cada vez que nos virmos, eu vou estar com o cabelo bagunçado... mas pode ter certeza que estarei passando pelo momento mais feliz da minha vida! É a lei da vida: sempre vai estar mais despenteada a mulher que decide ir no primeiro carrinho da montanha russa, que aquela que decide não subir! Pode ser que me sinta tentada a ser uma mulher impecável, toda arrumada por dentro e por fora. O aviso de páginas amarelas deste mundo exige boa presença: arrume o cabelo, corte, pinte, coloque, tire, compre, corra, emagreça, coma coisas saudáveis, caminhe direito, fique séria... e talvez eu deveria seguir as instruções, mas quando vão me dar a ordem de ser feliz? Por acaso, não se dão conta que para ficar bonita eu tenho que me sentir bonita?Por isso, minha recomendação a todas as mulheres: Entregue-se. Coma coisas gostosas. Beije. Abrace. Dance. Apaixone-se. Relaxe. Viaje. Pule. Brinque. Durma tarde. Acorde cedo. Corra. Voe. Cante. Arrume-se para ficar linda. Arrume-se para ficar confortável. Admire a paisagem. Aproveite, e acima de tudo, DEIXA A VIDA TE DESPENTEAR!!!Minha dica não é para “andar feia”, e sim, viva sem estresse com o cabelo torto, crespo, liso demais... Ria de você mesma! O pior que pode passar é que, rindo frente ao espelho, você precise se pentear de novo... e seja feliz!
***

Maio 26, 2009

"EU conto as horas pra poder te ver..."

36 semanas = 8 meses completos! Graças a Deus estamos ótimas, e aguardando o momento do nascimento da Isa!
Quer saber realmente o valor de um mês? Pergunte a uma gestante, pergunte a uma mãe! Contar as semanas é algo que somente quem espera é quem sabe. Esperar por algo tão lindo como um FILHO é maravilhoso. E, eu não podia deixar de comentar aqui, sobre esse TEMPO, neste blog que parece mais um "diário de bordo", o "diário de bordo de Jeanine aguardando -muuuuito- a chegada de Isadora"! Hehe

Por isso, atualizo-o, postando uma foto da pança, e deixando uns trechos que eu adoro da música Fico Assim Sem Você da Adriana Calcanhoto.
=] Beijos e felicidades a todos!
(*Jeanine de Moraes)
..
Tô louco pra te ver chegar
Tô louco pra te ter nas mãos
Deitar no teu abraço
Retomar o pedaço
Que falta no meu coração
Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas
Pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo
Por quê? Por quê?
Neném sem chupeta
Romeu sem Julieta
Sou eu assim sem você
Carro sem estradaQueijo sem goiabada
Sou eu assim sem você
....

Maio 05, 2009

UM bebê rescém-nascido enche um oco que sua mãe nunca imaginou existir em seu coração.

Com o passar do tempo, de acordo com a atual situação em que vivemos, as prioridades, os conceitos, assim como as vontades e necessidades mudam.
Então coloco aqui, uma bela frase, que diz tudo o que sinto no momento:
“UM BEBÊ RESCÉM-NASCIDO ENCHE UM OCO QUE SUA MÃE NUNCA IMAGINOU EXISTIR EM SEU CORAÇÃO.”
Estou vivendo um momento tão lindo! Ser uma grávida (uma pré-mãe) é super legal! Claro, que nessa fase é uma intensidade de dores musculares, na coluna, o aperto na barriga, o peso do barrigão, azia... Enfim, faz parte do “pacote”!
Sendo assim, estamos – Eu e Isadora – no 7º mês de gestação, 33 semanas, pra ser bem exata, e muito bem e obrigada! Ela está ótima, já eu... bah... não vejo a hora do nascimento, de tê-la aqui, do lado de fora!
E, pra não deixar este espaço virtual muito desatualizado, posto, claro, a respeito da atual situação da dona-e proprietária (hehe) deste blog. (*Jeanine de Moraes)

ESTAR GRÁVIDA é:
...ler 50 vezes o resultado do exame pra ter a certeza que estar correto.
...ficar chocada ao saber que uma gestação dura 40 semanas e não 9 meses como todo mundo diz por aí.
... se pegar imaginando, por horas a fio, como serão os olhos, os cabelos e a pele do bebê que vai chegar.
... torcer e muuuuuito pra que ele nasça perfeitinho.
... nunca mais dizer, " Ai, se fosse meu filho! " quando encontrar uma criança tendo acessos de birra no corredor de um shopping.
... sair na rua e só enxergar mulheres grávidas.
... ter sono,muuuuuito sono.
... esperar ansiosamente pelo dia do ultrassom, e assim que sair de lá, esperar ansiosamente pelo próximo!
... aprender a enxergar o filho nas manchas de um ultra-sonografia.
... ler muito sobre gravidez, pular o capítulo do parto (pois ainda é muito cedo pra se preocupar) e ir direto para os cuidados com o bebê.
... ir ao shopping e desejar apenas coisinhas para o filho.
... torcer pra ficar barriguda!
... ficar muito esquisita e descobrir uma incrível capacidade de sentir todas as emoções em uma só hora,da alegria descontrolada ao mau humor sem fim.
... acordar várias vezes de madrugada pra fazer xixi.
... rir sozinha ao senti o bebê mexer, mesmo que ele te acorde várias vezes durante a noite.
"SÓ ESTANDO GRÁVIDA PRA SENTIR COMO TUDO ISSO É MARAVILHOSO".

Março 05, 2009

E DE REPENTE, toda a história novamente...

Buenas! Com muita alegria quero divulgar que está vindo ao mundo umA meninAAA! Sim, é a Isadora chegando aí geeente! Estamos com 24 semanas (5 meses), cada vez mais redondinhas (ou melhor, a mamãe aqui, pois a pequena está com 596 gramas!) e cada vez mais ansiosos para que JUNHO chegue logo!
Volto a postar um texto, de minha autoria. Beijos a todos.
(*Jeanine de Moraes)

E DE REPENTE, TODA A HISTÓRIA NOVAMENTE
A gente vive num mundinho pequeno, onde nada interfere aquele “campo de força” que cerca nossa casa, nosso quarteirão. Nosso pai é nosso herói, e a mãe, nossa! Como ela é uma grande mulher! Será que vou ser assim quando eu crescer?
Num belo dia a gente se dá conta de que o mundo vai muito além daquela esquina, e começamos a perceber e ver tudo e todos ao nosso redor com outros olhos .
Deixamos de ser crianças e passamos a entrar para o fantástico-mundo-daqueles-que-têm-responsabilidades.
No começo é escovar os dentes, se comportar – como uma moça – não brigar com as irmãs, obedecer aos pais, os avós, os tios, estudar, fazer tema de casa...
Aos poucos a gente cuida do irmão mais novo, lava louça, e não passa mais fome esperando a mãe chegar, se vira. Estamos nos tornando “gente grande”.
Aprendemos que os pais não são eternos. Que a violência na ocorre apenas na televisão, e que grandes desastres podem acontecer ali na casa ao lado, bem como na nossa.
Uns vão, outros vêm.
Por incrível, aqueles que julgamos serem os bons, é que vão primeiro. Por que será, heim? Se é assim, então, pronto! De hoje em diante não serei mais boazinha!
Mas, não é bem assim. Todo o cuidado é pouco. É preciso muita atenção ao atravessar a rua, e principalmente em tomar decisões, ainda mais quando se trata da nossa própria vida.
Aqui é a realidade. Não posso mais correr pro meu quarto, e me esconder do mundo.
Não somos coadjuvantes, somos os protagonistas da nossa História.
Por muitas vezes dá até vontade de ficar ali apenas como um mero figurante. Lembrei de uma frase meio estúpida, mas que cabe aqui "às vezes é melhor ficar calado deixando que os outros pensem que você é um idiota, do que abrir a boca e não deixar nenhuma dúvida.".
Com o passar dos anos os dias podem parecer iguais. Dezembro, janeiro, fevereiro é aquele calorão. Chove, faz sol, abafa. Em março e abril os dias já ficam menos ensolarados, mais cinza. Em maio começa a ficar mais fresquinho. Em junho, julho, agosto é frio. Em setembro começamos a nos alegrar novamente. E outubro e novembro já é quase verão, já é quase final do ano, e já começamos a ouvir aquela velha frase “lá se vai mais um ano”, ou então aquela que me dói os ouvidos “nossa! já estamos quase no final do ano, como o ano passou rápido!”.
Se não vivermos algo que valha a pena, se não tivermos emoções, o que passou foi apenas mais um ano, e o próximo tende a ser igualzinho.
Não querendo se pessimista, mas morrer sempre alguém vai. Um parente, um vizinho, um amigo, um famoso. Adoecer, se recuperar faz parte da vida, e dá forças para vermos quão valiosa é a vida.
Felizmente também há nascimentos. Felizmente anjinhos vêm ao mundo para encher a vida das pessoas. Crianças são seres divinos, enviados por Deus, para dar uma agitada na mesmice e para fazer ressurgir aquela criança que fomos um dia, onde a gente vivia num mundinho pequeno, onde nada interferia aquele campo de força, que cercava nossa casa, nosso quarteirão.
(*Jeanine de Moraes)

Janeiro 28, 2009

CONVERSA de dois bebês

Entre pretensões, tensões, enjoos (agora sem acento, de acordo com o novo acordo ortográfico!), vômitos, crises emocionais, medo e muita expectativa, estou aqui, postando novamente neste blog! "Mãe padece no paraíso” desde o momento da concepção, isto é fato! Fato este que muda a vida, muda a visão de muitos fatores... Entre tudo isso – e mais um pouco – minhas inspirações não se cessaram... muito menos as frustrações... mas, hoje, 28 de janeiro, a exatos 3 meses do “descobrimento” da minha gravidez, registro que estou de 19 semanas, ou seja, 4 meses de gestação, e volto a postar.
O texto não é meu, desconheço o autor, mas merece esta postagem, pois é muito legal, e cabe ao momento que me preparo... e também serve para pensarmos em como começam os traumas e neuras... hehe =p (*Jeanine de Moraes)

CONVERSA DE DOIS BEBÊS
- E aí, véio?
- Beleza, cara?
- Ah, mais ou menos. Ando meio chateado com algumas coisas.
- Quer conversar sobre isso?
- É a minha mãe. Sei lá, ela anda falando umas coisas estranhas, me botando um terror, sabe?
- Como assim?
- Por exemplo: há alguns dias, antes de dormir, ela veio com um papo doido aí. Mandou eu dormir logo senão uma tal de Cuca ia vir me pegar. Mas eu nem sei quem é essa Cuca, pô.. O que eu fiz pra essa mina querer me pegar? Você me conhece desde que eu nasci, já me viu mexer com alguém?
- Nunca.
- Pois é. Mas o pior veio depois. O papo doido continuou. Minha mãe disse que quando a tal da Cuca viesse, eu ia estar sozinho, porque meu pai tinha ido pra roça e minha mãe passear. Mas tipo, o que meu pai foi fazer na roça? E mais: como minha mãe foi passear se eu tava vendo ela ali na minha frente? Será que eu sou adotado, cara?
- Sabe a sua vizinha ali da casa amarela? Minha mãe diz que ela tem uma hortinha no fundo do quintal. Planta vários legumes. Será que sua mãe não quis dizer que seu pai deu um pulo por lá?
- Hmmmm. pode ser. Mas o que será que ele foi fazer lá? VIXE! Será que meu pai tem um caso com a vizinha?
- Como assim, véio?
- Pô, ela deixou bem claro que a minha mãe tinha ido passear.. Então ela não é minha mãe. Se meu pai foi na casa da vizinha, vai ver eles dois tão de caso. Ele passou lá, pegou ela e os dois foram passear. É isso, cara. Eu sou filho da vizinha. Só pode!
- Calma, maninho. Você tá nervoso e não pode tirar conclusões precipitadas.
- Sei lá. Por um lado pode até ser melhor assim, viu? Fiquei sabendo de umas coisas estranhas sobre a minha mãe.
- Tipo o quê?
- Ela me contou um dia desses que pegou um pau e atirou em um gato.
- Assim, do nada. Puta maldade, meu! Vê se isso é coisa que se faça com o bichano!
- Caramba! Mas por que ela fez isso?
- Pra matar o gato. Pura maldade mesmo. Mas parece que o gato não morreu.
- Ainda bem. Pô, sua mãe é perturbada, cara.
- E sabe a Francisca ali da esquina?
- A Dona Chica? Sei sim.
- Parece que ela tava junto na hora e não fez nada. Só ficou lá, paradona, admirada vendo o gato berrar de dor.
- Putz grila. Esses adultos às vezes fazem cada coisa que não dá pra entender.
- Pois é. Vai ver é até melhor ela não ser minha mãe, né? Ela me contou isso de boa, cantando, sabe? Como se estivesse feliz por ter feito essa selvageria. Um absurdo. E eu percebo também que ela não gosta muito de mim. Esses dias ela ficou tentando me assustar, fazendo um monte de careta. Eu não achei legal, né. Aí ela começou a falar que ia chamar um boi com cara preta pra me levar embora.
- Nossa, véio. Com certeza ela não é sua mãe. Nunca que uma mãe ia fazer isso com o filho.
- Mas é ruim saber que o casamento deles é essa zona, né? Que meu pai sai com a vizinha e tal. Apesar de que eu acho que ele também leva uns chifres, sabe? Um dia ela me contou que lá no bosque do final da rua mora um cara, que eu imagino que deva ser muito bonitão, porque ela chama ele de 'Anjo'. E ela disse que o tal do Anjo roubou o coração dela. Ela até falou um dia que se fosse a dona da rua, mandava colocar ladrilho em tudo, só pra ele pode passar desfilando e tal.
- Nossa, que casamento bagunçado esse. Era melhor separar logo.
- É. só sei que tô cansado desses papos doidos dela, sabe? Às vezes ela fala algumas coisas sem sentido nenhum. Ontem mesmo veio me falar que a vizinha cria perereca em gaiola, cara. Vê se pode? Só tem louco nessa rua.
- Ixi, cara. Mas a vizinha não é sua mãe?
- Putz, é mesmo! Tô ferrado de qualquer jeito.
(Autor desconhecido)

Outubro 28, 2008

NASCIMENTO

Nascer é algo esplêndido.
Significa que num momento muito intenso duas pessoas se desejaram, e a mais perfeita união entre o super-espermatizóide com o único óvulo tornaram-se um só, e meses depois este ser chega ao mundo.
A partir de agora não serão um casal, e sim um trio.
A mãe não será mais simplesmente a fulana de tal, e sim, a partir de agora terá outro nome, o belíssimo nome de mãe.
Nascimento, gestação, parto... essas palavras nunca me soaram fáceis.
Confesso que medinho sempre tive, e até em meus mais recentes pensamentos isso não seria concebido.
Não, eu não. Acho que não nasci para ser mãe.
Eu adoro crianças, me divirto com elas, mas ser mãe era algo muito distante, distante, tão distante.... até... PRRRRRRRRRRRRRIM! Meu relógio biológico um belo dia despertou, e a emoção aflorou.
Comerciais do Zaffari, entre tantos outros com temas familiares são os que mais me emocionam, e as cenas bobocas de novelas ou filmes passaram a ter uma intensidade, que vira e mexe, pronto, lá estão as lágrimas teimando em aparecerem.
E isso é bárbaro!
A mulher é um ser divino. Ela luta como o homem, mas ela se derrete e vive intensamente as emoções.
Ela ama e odeio. Ela pode ser delicada, bem como ser uma lutadora.
Não que os homens não amem e odeiem. Mas somente as mulheres, e alguns raros homens, sabem do real valor dos sentimentos denominados tolos pra uma grande maioria da humanidade.
E é de delicadeza que falo. O amor é delicado, é frágil.
Quanta fragilidade e delicadeza envolvendo um ser que torna-se protetor e defenderá com unhas e dentes quem ousar chegar perto de seu filhote.
Mulher, mãe, protetora, acolhedora, provedora, sonhadora, lutadora, realizadora... Enfim, é um desafio, é surpreendente, de certa forma dá medo... mas, com muita EMOÇÃO e FELICIDADE um novo ser está a caminho para deixar minha vida mais feliz.
Jeanine mãe, muito prazer!
(HOJE, 28/10/08, acabei de receber o resultado do Beta HCG sangüíneo: 57336 mUI/ml)
(Valores de referência: mulheres não gestantes: inferior a 25 mUI/ml) Ou seja, gravidíssima!
(*Jeanine de Moraes)

Outubro 24, 2008

DEVANEIOS mais pra lá, do que pra cá...

Em meados de um inverno frio e úmido, nada aparentemente fora do comum, ao acordar, levantou-se, como sempre fazia. E logo após lavar-se, encarou aquela figura no espelho e desabafou:
- Eu vou enlouquecer!! Registro aqui o que vai acontecer. A cada dia, cada noite, cada simples ou complexo dia em minha vida, eu vou tornando-me mais convicta de que a lucidez não me pertencerá mais...
... mas, em algum momento me pertenceu?
O que é a vida? Viver? Dia após dia... e após dia... e o que há no dia-a-dia?
Veja os fatos, veja as fotos. A tendência é piorar? Lutar é divino? Buscar, buscar o quê? O que, se no fim (fim?) todos temos o mesmo fim = a morte.
Tenho medo... eu canso, e como canso de governar.
Por que eu sou assim?
Sono, sono. Dor de cabeça. Preguiça, uma incrível necessidade de me esconder. De fugir. De correr. De mudar.
É melhor ficar longe de mim...
Não sei se é uma influência interna de alguma alteração metabológica, devido aos remédios, indicados pelo neurologista – os antidepressivos – ou se é a uma influência externa, diretamente ligada ao meu inconsciente... não sei. Não sei mesmo.
Talvez alguns desejos, algumas ambições que não dependem apenas da minha ação...
Só sei que a minha reação/atitude nestes últimos dias me faz, de certa forma, agir assim... assim como estar com esta estúpida cara de paisagem... ããh?! É, assim mesmo!
Assim e ponto. Sem responder aos estímulos, sejam eles: pessoas ao meu redor, músicas que me animavam, atitudes associadas às lembranças...
Que nada!
Não sei se é uma reação desta droga de cloridrato de amitriptilina, indicado a depressivos... ou se é influencia lunar, hormonal, atemporal... sei lá.
(*Jeanine de Moraes)

Outubro 10, 2008

E A VIDA? Diga lá meu irmão!

A história da minha vida não é fácil. Ou melhor, não foi fácil.
Nunca foi.
Eu não precisaria de alguns capítulos, mas de muitos.
Cada situação, cada recordação, cada acontecimento. Momentos que não, não, não, não voltam mais...
Hoje, adulta, tenho a minha única e exclusiva vida, na qual passado, família, amigos e trabalho são ramificações.
Hoje eu faço as ligações entre os fatos e minha vida.
Tenho uma única vida, aqui e agora. O ontem, a adolescência, a infância já passaram.
Porém, têm coisas que não passam nunca.
Eu e minhas reflexões...
Eu e meus devaneios...
Eu e meus desabafos...
100 / 50 / 25 = 20 / 17 / 13
Capítulos? Anos? Números? Horas? Minutos? Segundos?
O que vejo no espelho não reflete o que eu era antes.
Mudanças físicas, mudanças interiores, amadurecimento, crescimento, discernimento. Enfim, 30 anos de vida (viva!) são 3 décadas. Anos estes que até me assustam.
Muitas vezes me surpreendo com tanta preocupação que o homem (ou melhor dizendo, a mulher) tem acerca da vida.
E quando o assunto é idade, então? Para uns é uma invasão de intimidade. Perguntar a idade pra uma grande maioria não é polido. Para uma dama? Jamais pergunte sua idade! A não ser que vá elogiá-la e dar um “desconto”...
Idade é cronológico. Nascemos no ano tal, e na média de a cada 365 dias este número aumenta. É crescente, graças a Deus! Imagine se regredisse? Chato... eu acho. No mínimo muito chato, pois o legal é somar e não diminuir!
Somar, aprimorar, crescer, evoluir... sempre!
Se estamos diferentes do que éramos, viva! A mudança sempre é válida.
Mudar o corte de cabelo, de cor, crespo, liso, longo, curto, careca...
Cada um tem seu motivo. A razão cabe somente a si próprio.
Porém, mudar para melhor!
Mudar com convicção. Aproveite esta possibilidade.
Pois não podemos escolher se queremos envelhecer, mas sim, como e se queremos ser velhos ou jovens de espírito.
Não escondo que tenho 30 anos, e desde março estou começando a compreender que ser uma trintona (não tiazona, pelo amor de Deus!) é bárbaro!
Assim como muitos escritores já escreveram sobre esta maravilhosa fase da vida, eu também reafirmo que a maturidade, a realização e a despreocupação com certas questões de outras “temporadas” são bárbaras.
Ser dona do próprio nariz, estar feliz solteira, enrolada, casada. Se separar, casar de novo, namorar, estar com quem de fato vale a pena.
Realizar sonhos. Carreira, casa, automóvel, filho, marido, esposa, tudo é maravilhoso e somente ali, na “beira” dos trinta anos que, de fato, percebemos o real valor.
Pra mim foi assim.
Pra alguns essa realização chegou na casa dos 20 e poucos, ou 20 e todos, ou nos 30 e lá vai... Talvez ainda não chegou.
Enfim, não falo de números. A cronologia serve para identificar e não definir ou designar.
É com a maturidade que percebemos e mantemos os verdadeiros amigos. Aqueles que estão contigo por seres o que és, e não pelas aparências.
A maturidade traz novas preocupações, mas abre os olhos à qualidade.
(*Jeanine de Moraes)

Outubro 09, 2008

IMUNIDADE

Ai, meu Deus, como eu queria um bom emprego para ser feliz. Ai, meu Deus, quem me dera ter uma baita casa, com piscina, dois andares. Quem me dera viajar pelo mundo. Um cartão de crédito ilimitado, e com muito crédito. Aquele caro do ano, o carro da moda.
Tanta coisa, tantos desejos e aclamações... Tantos pedidos... Tanto que Deus é aclamado, é chamado em vão!
Houve uma época em que eu queria muito. O que eu queria? Ora bolas, eu não queria ser a mais bonita, ou a mais famosa da escola, pois eu sempre fui aquela brincalhona, a engraçada, a “boba da corte”, aquela com alto astral, que não brigava, que não ficava chateada com nada. Sim, eu era assim... era?!
E todo mundo me via de um jeito, e esse era o jeito de eu esconder, dentro de mim, a minha dor, a minha timidez. Sim, êta timidez que me deixava insegura, medrosa, apavorada de tudo.
Apesar disso, eu não queria ser o que eu não era.
Jamais me preocupei em ser a mais bonita - além do que eu era uma magrela comprida de longos cabelos negros e lisos que escondiam meu rosto -, jamais me preocupei em se a mais inteligente – sempre estive na panelinha das mais inteligentes, jamais queria ser a mais querida, a mais legal, nem mesmo eu queria ser a mais divertida.
Vou contar o que eu mais queria, aliás: o que eu não queria!
Eu não queria chorar pela dor da perda do meu pai. Eu não queria ficar com ciúme quando ouvia alguma amiga/prima chamando o seu. Eu não queria me sentir sozinha no mundo, pois ninguém me compreendia, ninguém entendia minha dor, pois eu não sentia apenas a dor de uma filha que perdeu o pai... eu sentia a dor da trágica morte dele. Eu sentia que meu passado somente era o que eu tinha. Eu só tinha o passado comigo, o futuro, futuro?! Quem era eu pra pensar nisso...
Como? Partindo de qual princípio?
Foi difícil, puta-que-pariu como foi difícil. Como chorei. Como me senti perdida. Como me senti sozinha. E como andei sozinha.
Por muito tempo eu detestava comemorar meu aniversário. Dia 25 de março era muito triste para mim, e não por eu estar envelhecendo, e sim por ser a véspera da data que perdi meu pai.
Mas felizmente a vida é dura, e as dores não são eternas. Felizmente há perdas, e muitos ganhos. Hoje em dia eu adoro meu aniversário, adoro comemorar, adoro quando as pessoas lembram de mim. É bem fácil de lembrar: meu aniversário é conhecido pelos consumistas, é o dia que dá nome àquela rua famosa pelas muvucas de São Paulo, a famosa 25 de março!
A comemoração do aniversário é uma data muito legal. Como na língua inglesa, birthday, é o dia do nascimento. Então, comemoremos a vida!
E eu tenho três décadas de vida, vida, louca vida, isso sim!
Mesmo que, tristemente, um dia após a data do meu nascimento, é da data do falecimento de uma pessoa que foi muito importante em minha vida, eu vibro por estar tendo, dia-a-dia, ano após ano, a oportunidade de ser FELIZ.
Se há 17 anos atrás (mais que o dobro de minha jovem vida) me perguntassem o que eu queria, talvez até eu diria imunidade. Mas, sem dúvida nenhuma, seria uma família!
Eu não queria nada de luxo.
Queria tanto poder ter meu pai perto. Ele que ia às reuniões da escola, que pegava e assinava meus boletins, que se preocupava e comprava Enciclopédia do Estudante (pois a Barsa era cara!) para nossos estudos.
Não quero menosprezar a minha mãe, mas meu pai foi meu ídolo. Meu pai foi uma pessoa humilde, super simples, trabalhador, honesto e com um histórico de vida que me emocionava, mesmo eu sendo uma criança.
As pessoas nascem e morrem.
Somente o fim é certo na vida.
Não temos imunidade suficiente para viver eternamente.
Mas temos o presente. Por isso que não sonho muito com o futuro, por isso que não sou muito ambiciosa.
Cuidado! De repente, num instante, PUFT!, tudo se torna passado.
(*Jeanine de Moraes)

Outubro 08, 2008

O VÔO no quarto 90

As horas não passam. Parecem conta-gotas... pim... pim... pim...
O medo, o ambiente, o cheiro nauseante. Tento disfarçar, pensar longe daqui, pensar em coisas boas... Mas não passa... o tempo não passa! O tempo voa mesmo? Aqui, não!
Andar de avião: que medo! Que pavor! Que náusea! Que dor de ouvido! Que desconforto! Que frio!
Dentro do avião, contando os dedos, esperando as horas passarem, contando os segundos, imaginando longe, longe, longe, pra ver se as horas passam... e nada!
E o pânico? E o barulho? E eu, apertada, desconfortável naquele aperto? O barulho de que mesmo? Que medo do momento do vôo... VRUUUUUM!
E do pouso? Não sei qual foi pior... Aliás, sei sim! O pouso era sinal de que havia terra, e que eu estava, novamente, no chão! Viva! Um viva e eu estou viva!
Já, passar a noite, passar a madrugada num hospital velando um doente, mesmo sendo a própria mãe, é algo assustador!
Não, não sei se é mais assustador um vôo de 6 horas (Porto Alegre-Recife) ou a experiência de passar 6 horas (pra mais) dentro de um hospital.
O medo, o ambiente, o cheiro nauseante, conversas fúnebres, orações muitas vezes só da boca fora.
Experiências únicas!
Em ambos o medo e o ar de morte, de pânico, de dor no ar. A mesma vontade de sair correndo... e estar impossibilitado.
Em ambos precisamos de ar, necessitamos de ar!
No hospital há o compartilhamento de experiências, de dores, de esperança, de pavor... caras e sentimentos pedindo socorro.
Socorro! Me tirem daqui!!
E no avião, como no hospital, acontece tudo, dentro de mim!
Avião e hospital: lugares necessários, lugares de passagem!
(*Jeanine de Moraes)

Outubro 07, 2008

VISÃO 3D

Tudo é de fato relativo? É realmente uma questão de visão, ou seria de adaptação?
No primeiro momento alguns fatores são os mais marcantes, como o ambiente num geral, o cheiro e como as ações acontecem.
Quando se é meramente um coadjuvante, ou, “epa! peraí, o que eu tô fazendo aqui?”, ou seja, quando as cenas ocorrem sem nossa força maior, é algo involuntário, e tu apenas participa do fato... é aí que tudo foge do teu alcance.
Como agora, no parágrafo acima, tentei explicar o meu pensamento, e creio que, no primeiro momento, pensamentos aflorando, a digitação é mais lenta que o raciocínio, talvez eu possa não ter sido clara. É, é possível... é tudo tão relativo...
Há uma maior variação, ou a menor, dependendo da nossa ótica, da nossa visão, percepção, capacitação... adaptação?
O universo é complexo. Muitas coisas parecem ser tão sem nexo e eu, muitas vezes, fico tão perplexa com meus reflexos, conflitos e devaneios... e de vez em quando é preciso fugir, e eu me desconecto.
Será que o homem se adapta ao mundo, ou vivemos num mundo meramente adaptável?
As ações modificam o homem, ou de fato o livre arbítrio funciona e o controle remoto fica em nossas mãos?
Sou parte desse mundo, ou o mundo é uma parte desse eu?
Tudo é relativo, complexo e hoje em dia, tão anorexo.
(*Jeanine de Moraes)

Outubro 02, 2008

PRODUTO perecível

Estar entre uma galera. Estar repleto de amigos, pra ser mais específico, estar entre 15 pessoas e se isolar – escutando Manaá – deitada numa cama, numa boa, olhando a bela vista da janela, as nuvens, o céu azul, não quer dizer introspecção.
Eu creio que não! Ou sim, quando o ambiente “lá fora” me diz que é carnaval?
Pragmático. Expressivo. Afável. Analítico...
Não me importam nomenclaturas. Há tantos sinônimos para tudo, não é?
E o que é um nome? O que vale?
E se eu me chamasse Mara, Maria, Mariana, Marina?
Não, nomes não passam de rótulos...
E eu me chamo JEANINE, e o que esse rótulo descreve? Veja pela embalagem, veja além da embalagem...
Não tem modo de usar! Pois bem, se tu me disseres a melhor forma de usar este produto, quem sabe funcione...
Utilize em doses homeopáticas, agite antes de usar, não utilize em demasia, acrescente pitadas de pimenta, 2 colheres de fantasia, ½ copo de bom humor...
Não há fórmulas, não há receitas...
Apenas há eu, tu e todos ao nosso redor. Perto, longe, aqui dentro de mim. Uns curtindo o carnaval, outros curtindo momentos de reflexão, de rimas, pensando no hoje, no ontem, no amanhã...
Por isso, pense!
Pense e viva, pois o produto é perecível.
Somente tem data de fabricação... e a validade não cabe ao fabricante informar, e muito menos eu sei, ou tu sabes...
(*Jeanine de Moraes)

Outubro 01, 2008

VOCÊ tem fome de quê?

Você tem fome de quê? Você tem sede de quê? Você acredita no quê?
Você é o que você come? Ou você é o que você acredita?
Você é suas ações, ou você é o que os outros pensam de ti?
Não, nada acontece por acaso!
Creio que nada acontece por coincidência. O universo realmente, completamente e inteiramente conspira para que as coisas se movam e aconteçam.
E sim: toda ação gera uma reação!
Segue uma reação, de uma ação vivida por mim, em abril de 2003, após um encontro com minhas sistas:
...
Hoje eu aqui, nessa cama, sozinha, com vontade de escrever, só ouvindo o tic-tac do relógio e o ruído da caneta nesta agenda não estão acontecendo por acaso! Agora exatamente são 22 horas, e a exatamente 1 hora atrás eu estava lutando com meu corpo... “Não, de novo não!”, “Não acredito!”, “Ai, nãaaaao...”, “Droga, esse ônibus que eu perdi, droga, agora é esperar o próximo...”, “E essa droga que não vem...”, “Não, de novo não...”, “Não agüento mais esse chiclé....”, “Argh, não agüento esse cheiro horrível, cheiro de sei lá o quê nessa rodoviária...”, “E essa droga de ônibus que não vem...”, “O 20h30 passou adiantado, e o das 21h nem sinal...”, “Argh, que cheiro podre, cheiro indescritível que está me fazendo mal...”, “Ai, de novo nãaaao!”, “Ai, que nojo, que nojo...”, “Estou ficando mal... se ao menos eu pudesse sentar...”, “Tô ficando tonta...”, “Preciso de ar...”, “Não, não posso respirar esse cheiro de banheiro público...”, “Tô sozinha... tô passando mal...”, “Peço ajuda?”, “E o ônibus, caramba, que não vem!”, “Ai, de novo nãaaao...”, “O que eu faço... corro pro shopping? Ligo pro Xandy? Não, ele não viria...”, “Ai, de novo nãaaaao...”, “Credo, vou desmaiar!”, “Sim, eu vou desmaiar!”, “Preciso sentar...não tem banco, vou sentar no cordão...”, “Que se danem!”, “Eca, esse lixo de rodoviária!”, “Vou sentar aqui, no meio-fio mesmo...”, “Ai, aliviou 3%, um leve vento...”, “Um vento misturado com esse cheiro de sujeira... mistura de cuspe, resto de refrigerante, sorvete, chiclé, toco de cigarro... cheiro de imundícia!!”, “Cheiro de gente suja e azenta...”, “Prostitutas, velhos bagaceiras, de gente que está ali como mais uma, simplesmente mais uma, terça-feira a espera de mais um ônibus, naquela imunda e fedorenta rodoviária...”, “Vejo pequenas estrelinhas, tá tudo branco...”, “Agora que eu caio...”, “De novo nãaaao...”, “Fundo, vou respirando fundo...”, “Ônibus! Meu ônibus chegou finalmente!!”, “Tô ruim, será que eu agüento...”, “Vou pro final do ônibus, quero me esconder... quero ar, vento, quero sair dessa sujeira!”, “Não, é melhor ficar por aqui...”, “Não, de novo nãaaao...”, “Nãaaaaaaaaaaaaaaaaaao!!”.
E no banco, atrás do motorista, entre o cobrador, dei 2 “golfadas” de vômito...
“Desculpa!! Perdão!!”, “Mil desculpas, senhor cobrador, mas foi incontrolável!!”.
Não respondi por mim, meu corpo reagiu...
Óh, não, de novo não!
...
Nada é por acaso... isso é verdade... mas o que meu vômito tem a ver eu não sei. Só sei que a pizza de alichea talvez me fizesse menos mal que a 4 queijos... tá bom, tá bom, 1 chopp e meio também tem a ver com meu vômito... Mas isso nunca, nunca, nunca, NUNCA me aconteceu: jamais vomitei por ter bebido álcool (muito menos por 1 copo e meio de chopp) e JAMAIS eu havia vomitado num ônibus...
Tudo tem sua primeira (e espero que única) vez, e nada é por acaso!
(*Jeanine de Moraes)

Setembro 30, 2008

CONFLITO

Conflito já é uma palavra que tem algo a mais, um plus: CON+FLITO!
Com isso, com aquilo e com mais trocentas coisas é que vive pensando, refletindo, devaneando, mirabolando a mente humana, especificamente a mente feminina.
A cada dia, vivenciando os fatos cotidianos, eu chego ao mesmo pensamento: na próxima encarnação, se assim eu puder escolher, quero ser homem!
Quero sim! Eu confesso, gente! E não é porque o homem não ovula, menstrua, ou não tem cólica, pois nos dias de hoje, só menstrua quem quer.
Digo, e reafirmo, que eu adoraria ser homem...
Em princípio, tu já viu homem com crise de sentimentalismo? Okay, assim como certamente tu, eu também já conheci e conheço alguns casos raros (quase em extinção) do sexo masculino que são sensíveis, sentimentais... e que não são gays! Sim, eles existem.
Mas a grande maioria não está nem aí e nem esquenta cabeça com um décimo das neuras que nós, mulheres, enfrentamos.
Minha grande amiga Cris Martins, em seu blog escreveu, no texto “Momento Queratina” sobre nós, mulheres, vivermos em nossos mundos, e que “.. convivendo com outras mulheres acabamos nos convencendo de que somos normais, cheias de esquisitices e anomalias visíveis somente ao olho do clínico bicho-homem..” . Questionadora como só ela, ainda deixa algumas perguntas, que repito aqui “..ficaremos nós mulheres eternamente mal entendidas? Mal interpretadas? Sendo vistas pelos homens como seres extra-terrestres que jamais darão possibilidade de auto-conhecimento? ..”
Bom, pois é. E eu pergunto, pra que a gente se descabela e escabela preocupada com tantas coisas, com isso e aquilo e mais aquele outro lá?
As pessoas são únicas, diferente de sexo, idade, região, religião, time de futebol, enfim, uma lista enorme.
A mente humana é muito complexa. A mente feminina, então...
Por isso adoraria ser homem. Ser homem de verdade, pois de mentirinha eu já fui.
Uma vez, na escola, no meu segundo grau - hoje o ensino médio- o grêmio estudantil, inventou um correio, para criar o hábito de comunicação, e para que os alunos se conhecessem. Para incentivar a troca de cartinhas e bilhetes foi permitido esse intercâmbio entre as turmas, inclusive entre turnos.
Ou seja, comunicativa e curiosa como sempre fui, achei o máximo, e minha mente voou longe, e tão longe, que a partir de um recadinho na classe de minha colega, onde estava escrito mais ou menos assim: “olá, meu nome é Fulana de Tal, sou do turno da manhã, turma tal do 1º ano. Tenho 15 anos, sou baixinha, magrinha e adoraria me corresponder com quem senta aqui nesta classe, de preferência ser for menino.”
Pronto! Cutucou a onça com vara curta!
Foi aí que o Jean - qualquer semelhança é mera coincidência- um rapagão, moreno alto, forte, 18 anos, solteiro, baladeiro, entrou em ação!
Nos primeiros contatos nos matávamos – eu e minhas colegas - de rir, e mais ainda relembrando que já fomos tolinhas em acreditar em amores platônicos, sonhar com alguém que não conhecíamos ao vivo. E neste caso, que nem existia.
Hoje em dia, sei lá, perdeu a graça. O Orkut acabou com esse charme, essa surpresa e curiosidade. Pois vejam bem, todo mundo é lindo. Sim, ninguém coloca foto feia, espinhenta ou corcunda. Além do que todo mundo se ama. Todo mundo faz questão de declarar que é melhor amigo de todo mundo. E o pior de tudo, todo mundo fuxica a vida de todo mundo, colocando e encontrando falsas informações, e deixando muitas vezes de conhecer pessoas legais e demonstrar de fato quem realmente é.
Mas isso não é bem o que eu queria concluir com o assunto inicial... enfim, com certeza, se homem eu fosse, acho que não me prestaria a escrever e me preocupar sobre um assunto tão fútil...
Fútil? Relacionamentos não são fúteis. E, pimba! Tá aí porque entrei no assunto Orkut. Cartinhas, bilhetes, scraps, depoimentos, tudo faz parte da nossa rede, seja virtual, real, ou irreal, principalmente de interesse feminino... inclusive, fazem partes dos nossos conflitos.
(*Jeanine de Moraes)

Setembro 23, 2008

A VIDA não é bolinho, não.

Barbaridade! Como há diferenças neste mundo. Uns vivem numa miséria, numa pobreza que mal têm o que comer. E quanto mais pobres são, mais filhos têm.
Triste, triste mesmo, pois eles próprios não têm noção da atual vida, da atual realidade em que vivem, e do mundo. E o futuro? Nem sabem o que é isso. Não há administração, não há perspectiva de vida... Triste mesmo.
Venho de uma família pequena. Mas eu também já sofri por ser pobre, digo que passei momentos de constrangimento por não ter nem pão e leite em casa, e termos que comer bolinho frito (nego deitado, que é sem fermento), com café preto! É... isso me deixava indignada, pois não éramos tão pobres assim, mas sim o problema era de administração, administração das contas familiares da minha mãe... não falta de dinheiro, e sim, de competência. Uma coisa é não ter dinheiro, outra é não saber mantê-lo, administra-lo e “gostar” da vida de bolinho.
É, ter que comer bolinho não era nada legal. Por isso que por muito tempo passei longe do café preto. Não, muito obrigada.
Felizmente, o destino está em nossas mãos, e aprendemos com os exemplos que encontramos. Alguns seguem os maus exemplos encontrados, outros, pegam estes e utilizam como seus exemplos de vida, de vida que não querem.
Desde que me dei conta de que eu era gente - vou definir “gente” como quem pode agir por si próprio - tomei a conclusão de que eu ainda não sabia o que eu queria da vida. Entretanto, eu sabia muito bem o que eu não queria para mim.
Cada um sabe onde seu calo dói, onde o sapato aperta, onde o joanete incomoda. É só procurar um pedólogo, uma pedicura, trocar de sapato, andar descalço, ou seguir a vida, acreditando (e aceitando) que pé de pobre não tem tamanho.
Uma vez uma vidente, aquelas mulheres que colocam cartas para ver o futuro, falou de mim para uma amiga. E segundo a senhora, que admirou-se quando “leu” a minha carta, disse que eu era uma pessoa muito rica, e que se eu não era ainda, seria, e muito.
Enfim, ela acertou! Rica eu sou mesmo! Olho para trás e vejo tudo o que vivi, meus dramas, traumas, tragédias, e hoje, sem querer ostentar bens materiais, eu sou o que transpareço: vivo independente do meu passado, com emoção em busca de realizações, em busca de tranqüilidade, de amor, de paz e fidelidade.
Não sou uma pessoa orgulhosa, sou bem simples por demais, e gosto de ser assim, mas tenho muito orgulho de mim, e gosto mesmo da minha vida. Luto por meus ideais, realizei sonhos, continuo realizando e realizarei mais ainda.
Não me conformei com situações difíceis, algumas tremendamente trágicas, que enfrentei, e que podiam ter me predestinado a uma vida insossa.
É preciso acreditar em si, ter fé, e partir pra luta. A porta do zoológico será aberta, pois engoliremos sapos, encontraremos raposas, pentearemos macacos, tomaremos coices, patadas, mijadas... Muitas vezes será preciso também colocar em práticas as aulas de que eu nem tive, mas sei que era do currículo em mil novecentos e antigamente, as tais aulas de Técnicas Agrícolas, pois será preciso temperar pepinos, cortar abacaxis...
É, meu amigo, a vida não é bolinho, não!
Mas também não morri de fome, ao menos bolinho frito tínhamos. Ô coisa mais sem graça... triste.
(*Jeanine de Moraes)

Agosto 21, 2008

QUANDO uma estrela se apaga

As estrelas, astros luminosos no céu, com seus brilhos incandescentes, parecem tão superiores, pois são intocáveis, estão tão distantes, e têm a assustadora capacidade de viverem milhões de anos.
E assim, desse jeito nada simplório, que Estela se autodenominava. Não porque seus pais a batizaram com este nome, Estela, “aquela que descende das estrelas”, mas pelo simples detalhe de ser sempre brilhante, ofuscante aos olhos de todos.
Assim era Estela.
E como todo ser estelar, as estrelas, e os cometas iluminados, se apagam. Acabam-se. Somem. Desaparecem.
Alguém lembra de alguma estrela que se apagou? Afinal, se estrelas cadentes existem é porque elas se movem? Porque elas caem? Por que elas brilham? E por que elas se apagam?
Elas teriam vivido o suficiente nesse mundinho galáctico e, pronto, fim?
E era assim que Estela se sentia... ou melhor, era assim que pressentia que seu fim estava por vir. Sentia que nada mais fazia sentido. Sentia que nada mais tinha o mesmo sabor, o mesmo cheiro, o mesmo prazer.
Ela simplesmente cansou de brilhar. Cansou de ofuscar. Cansou de ser Estela. Cansou.
Quando pequena não sonhava em ser astronauta, mas queria ser aeromoça. Voar para longe, viajar pra bem longe. Não. Voar não era o que a emocionava, mas sim a elegância, a disciplina, a seriedade de uma comissária de bordo.
Sim, na infância de Estela, em sua mente simples de uma menina pobre, o que se imagina pode ter valores insignificantes a um adulto, mas para ela, sua dimensão de mundo não fugia muito dos acontecimentos em seus sonhos, vividos em seu pequeno mundinho.
Imagine só uma aeromoça? Era algo tão distante da sua realidade quanto estavam as estrelas do céu. Não apenas em distância quilométrica, e sim de mundos e meios.
Também as suas medidas a favoreciam. Magra e alta. Era discreta. Estudiosa, educada.
Voar e fugir desse mundinho talvez já estivesse implícito nos desejos da menina. Talvez ali, quietinhos, quase declarados, mas ainda intocáveis, porém existentes dentro daquele pequeno coração. Coração solitário, mas muito ouvinte e observador. Sonhar nunca foi difícil. Simplesmente ouvir as pessoas, escutá-las e retratar em sua imaginação era o que de mais bárbaro podia vivenciar. E era de graça. Uma diversão gratuita.
Quando foi não importa, mas o sonho de se tornar aeromoça veio ao chão quando, como tudo na vida, além de apoio emocional, precisa de apoio financeiro. E infelizmente ela não tinha nem um, nem outro.
Pode parecer banal para quem nunca viveu grandes perdas, grandes dramas, grandes desafetos, grandes mágoas e dores. Quem (felizmente) ainda não viveu jamais tem, teve ou terá uma visão real das coisas que Estela vivenciou. Será meramente cordial, e até superficial. Mas, pra quem compreende do que Estela sentia, sabe do quão trágico é estar incapacitado de agir, e saberá interpretar que os sentimentos de alegria se mesclam aos de angústia, e a covardia pode se tornar característica marcante.
E assim Estela estava.
Uma completa covarde.
Completar três décadas de vida talvez tenha sido um dos fatores que a levaram a esta patologia. Mas por quê? É a lei da vida. Ano após ano, a cada 360 dias, exceto os anos bissextos, a idade cronológica é contada e somamos.
Só que envelhecer não é apenas somar... pode ser também diminuir. Pode ser dividir. Pode ser multiplicar. Pode ser anular.
E contra a anulação foi que Estela mais lutava, nestes anos de vividos, pela construção de sua identidade. Porém, infelizmente era o que a retratava.
Anulação de personalidade é algo que hipocritamente muita gente vivencia. Esposas e maridos que por preguiça, medo ou comodismo aceitam as regras ditadas pelo cônjuge e vivem em uma completa anulação dos seus desejos, sonhos e de até suas necessidades.
Há ainda como anular-se usando máscaras. A sociedade nos impõe o uso destas máscaras. Aqueles que não as usam não são normais. São tolos. Aliás, são os carneirinhos que serão abatidos pelos tigres, leões e lobos, sempre famintos para o ataque dos fracos. É a lei da selva. A lei da sobrevivência. Somente os mais fortes sobrevivem. A sociedade não forma fracos. A sociedade gradua para a vida-selva, e não a vida-harmonia.
Mas a pior de todas as formas de anulação é aquela em que o indivíduo esconde e finge para si mesmo.
Estela não queria mentir para si mesma. Estela cansou desse tipo de mentirinha. Ela cansou de mascarar-se para agradar a todos com quem se relacionava.
E um dia ela pensou. E um dia refletiu, e se questionou. Viver? Para quê? Por quê? De que adianta?
Uma pessoa sem sonhos é como um céu cinza. Pessoas sem sonhos não passam de meras estátuas, pois estão sempre ali, com a mesma cara de paisagem de todo o sempre.
Em toda história há os coadjuvantes e os personagens principais. Quem viveu uma infância em busca de esperança compreenderá a simplicidade de pequenos gestos, e compreenderá que antes ser um mero, ou mais um, coadjuvante, do que nem sequer estar em ação.
Ser dona do seu destino sempre foi sua bandeira. Sem apoio afetivo, sem embasamento concreto de suas raízes, vivendo apenas com valores superficiais, foi que Estela buscou tornar realidade uma vida básica. Esta era a denominação que ela buscava, uma vida básica e que sonhava ter.
E mesmo que pareça simplório esse desejo, somente quem conhece seus fantasmas interiores compreende que a mente humana é capaz de criar anticorpos, tanto quanto generalizar um câncer.
A conspiração universal existe. É provado, registrado, e o ser mais incrédulo haverá de concordar, um dia irá concordar.
Toda ação gera uma reação, e é essa a conspiração universal mais real que existe. Pessoas alegres, não são atraentes porque o signo zodiacal as rotulou assim. Pessoas contentes atraem bons fluidos, e emanando boas energias, as atraem. Não é preciso divulgar com um segredo desvendado. É tão simples quando as necessidades fisiológicas, beber líquido quando estamos com sede, nos aquecer quando estamos com frio, gritar quando sentimos dor, e etc.
O mundo vive o constante da ação e reação, e os meros seres humanos, com seus turbilhões de sentimentos, idem.
Desejar algo com o mais árduo desejo pode ser o primeiro passo. Porém, cair do céu, somente chuva, tragédia de avião ou algo do gênero.
Se nós somos o que comemos, somos o que desejamos.
E Estela estava vivendo o seu mais novo e temido paradigma = o desejo de não ser.
Todos nós somos movidos por desejos. Alguns desejos se modificam com o passar dos anos. Alguns sonhadores conquistam o amadurecimento, e mudam seus sonhos. Deixamos de lado os desejos infantis, desejos juvenis, e passamos aos desejos e sonhos do fantástico mundo do ser adulto.
O mundo atual, e real, pode ser tão frustrante. Talvez seja esta descoberta que tornou a vida tão vazia de Estela.
De que adiantava todo esse questionamento? De que adiantaram os gritos de socorro?
Não adianta gritar. Os fantasmas aparecem sempre quando todos já foram dormir.
E assim, tudo chega ao final. Tudo tem início, meio e o tão temido FIM.
Estela não foi a única, nem foi apenas mais uma. Ela pode ser sua irmã, sua amiga, sua mãe, sua tia. E, não tenha medo, ela pode ser você, bem como ser eu.
(*Jeanine de Moraes)