E LÁ VAMOS NÓS...


Hei! Para! Calma! Espera um pouco! Relaxa e respira! Isso, obrigada!

Se as pessoas percebessem que essa correria, essa afobação, que gera tensão e nervosismo, afeta tanto a saúde, as coisas mudariam?

Hoje em dia todo mudo anda “atolado”. 
Estamos multiatarefados no trabalho, coisas e mais coisas para fazer em casa, desde a organização de gavetas até uma triagem nas roupas e calçados para doação.

“Nossa! A semana passou voando.” “Já estamos em agosto, quase final do ano!” Como frases deste tipo são repetidas e repetidas e repetidas...

O ser humano tornou-se um maratonista.

Viver é estar em constante competição.

E assim, corremos, estamos sempre atrás do relógio, e as horas, o dia, o mês e o ano passam.

Qual o valor que estamos dando ao nosso tempo?

Para uma gestante, 9 meses é um longo período de expectativas, mudanças internas e externas, que estão só começando.

Para quem está num hospital, cada minuto, cada hora é tão pesada e intensa quanto a dor e a fé na recuperação.

E quem perde o ônibus, ou um voo, por 1 minuto, um instante de atraso? Paciência!

O tempo serve para medir, ou marcar, um período.

É preciso achar um tempo para avaliá-lo. O pior é correr e não chegar a lugar algum.

O melhor da vida é poder contar os momentos vividos intensamente, mesmo aqueles ruins.

Não perca tempo. Saia de casa. Viaje. Realize sonhos.

Nunca é tarde para rever lugares, reencontrar amigos, visitar aquela tia querida que há anos você não vê, mas que foi tão especial em sua vida.

Dê importância ao seu tempo.

Valorize aqueles que participam de sua história.

Um dia todos partiremos. Um dia o tempo de todos acaba.

Uns vão primeiro, e daí não adianta se lastimar, pois o tempo, além de não parar, não volta.

É melhor contar os anos de vida, do que a nostálgica saudade de quem já foi, e não voltará mais.

Aproveite seu tempo agora. Não o perca.

Corre lá, e dê um abraço em quem é realmente importante pra você!

*Jeanine de Moraes

A DOR ENSINA A GEMER


Desde muito cedo eu tive o discernimento de que a vida é frágil.
Tenho a nítida lembrança de ver meus primos e outras crianças correndo durante o velório do meu avô, e na época eu era também uma criança de apenas 8 anos. Depois deste, fui a muitos tantos outros velórios.
Perdi familiares por doenças graves, em que participei diariamente das dores. Era como se eu sentisse suas dores físicas, e as dores da alma ficaram como cicatrizes em mim.
Vivenciei tragicamente a perda de quem foi a pessoa mais importante em minha vida. Não perdi, me tiraram.
Falar em morte pode ser difícil e doloroso. Pensar na dor é muito sofrido.
Pensar no sofrimento de quem está agonizando, o choque de um acidente, a colisão entre veículos, um tombo na qual o corpo é atirado longe, arrastado e que segue queimando no asfalto, a sensação quente de uma bala entrando, rompendo a carne, perfurando a derme, um corte de faca rasgando sem nenhuma piedade, animais furiosos atacando uma presa que está sendo abatida, vampiros sedentos em busca de sangue, leões famintos em busca de carne!
A fragilidade de um corpo pode ser definida em um laudo, num exame de óbito em hemorragia interna e externa, profundas perfurações, um massacre com armas de fogo e armas brancas... brancas e manchadas de sangue.
Falar em morte dói. Pra mim já não mais com a mesma intensidade.
As dores que vivi me ensinaram que não somos absolutamente nada nesse mundo.
Aliás somos. Somos uma formiguinha no formigueiro chamado mundo. Somos uma formiga numa selva de pedras.
E assim, como um minúsculo inseto, é a nossa fragilidade diante à realidade do ato de viver.
Nosso corpo é como uma máquina, que pode tanto sair da fábrica com algum mecanismo necessitando de ajuste, como, por uma folga, afrouxar todo o funcionamento, ou ainda um tubo pode entupir, a qualquer momento brecar, parar, falhar, quebrar, fundir...
Pois pronto. Só chorar e lamentar não nos leva a lugar algum.
A vida é assim. A dor ensina a gemer. Certos acontecimentos servem de alerta e de aprendizado.
Tudo pode estar bem, e num instante algo acontece e nos faz lembrar quão frágil é a vida.
(*Jeanine de Moraes)

QUEM VIVE DE PASSADO É MUSEU


O passado é o que passou. Temos que, para sermos o que somos hoje, termos passado por ele.
São os dias da nossa vida em outra época, com pessoas, lugares e experiências que são nossas referências de hoje.
Mesmo que hoje não sejamos nada parecidos com o que éramos antes, sempre resta a essência de tudo.
O tempo é necessário para registrar períodos, datas e fatos.
Todos os acontecimentos da vida seguem essa cronologia.
E tudo (ou quase tudo) muda. Que bom!
Vamos evoluir!
Nesse breve nascer, crescer e morrer é a vida.
Pessoas vão e vêm. Recordar o passado, rever fotos, vídeos, cartões (e quem lembra daqueles cadernos de recordações, e os questionários?) é bom demais.
Mas, o melhor ainda, é quando bate uma saudade boa.
Existem coisas – e pessoas – que “ufa!”, que fiquem lá no passado mesmo. Já passou, pronto!
Mesmo sendo uma frase clichê, vou usá-la: “o dia de hoje é um presente!”
Viver o presente é abrir o baú do passado e balancear, extrair o suco, jogando fora o bagaço, e saboreando a vida, e seus momentos que merecem recordar.
Os demais, não tão bons, também são de grande valia, e foram necessários para o hoje.
Então, chega de nostalgia e mãos à faxina!
É um trabalho duro: descartar parece ser um processo simples, mas não quando se trata de sentimento.
Mas, como em todo processo, é preciso ter meta.
E o que você quer? Vai montar um museu? Vale a pena guardar tantas tralhas?
Delete! Exclua! E abra espaço para coisas novas!
Mergulhar no passado (às vezes) se faz necessário. Saímos molhados, mas o alívio de tudo é pegar uma toalha, se secar e pronto.
Viva o hoje!
Hora de reciclar e renovar as lembranças e vivências.
*Jeanine de Moraes

ONDE SEGUE SUA ESTRADA?


Se o destino está em nossas mãos, o que fazer quando não se tem nada, e perde-se tudo?
A dura realidade e a falta de perspectivas é que definem o ser ou não ser?
As oportunidades, ou a falta delas, é que dão direção ao rumo da vida.
Ruas sem saídas, encruzilhadas, andar na contramão, ultrapassar os limites de velocidade.
Devemos é ultrapassar preconceitos.
Atravessamos vias perigosas, longas estradas, por vezes emocionantes, outras entediantes, subidas e declives – alguns nos dão frio na barriga, outras vezes vivenciamos acidentes.
Não é fácil seguir no caminho certo. Na vida não basta apenas ter mapa, boca (quem tem boca – e dinheiro -  vai à Roma?) ou GPS.
Na estrada da vida caminhos se cruzam.
Assisti ao filme “Faroeste Caboclo”, dirigido por René Sampaio, que poderia ter sido retratado nos dias de hoje, pois mostra questões sociais e políticas ainda tão atuais do nosso país, e que conta, em Brasília dos anos 80, a história tão conhecida de João de Santo Cristo e Maria Lúcia.
Além de uma história estilo “Romeu e Julieta”, fiquei pensando nos caminhos surpreendentes da vida, quando eu saí do cinema.
O filme faz, principalmente, pensar na dura vida do menino pobre, negro e analfabeto que queria ser bandido, ainda mais quando com tiro de soldado o pai morreu, e que enfrentou dificuldades, muitas delas por sua classe ou sua cor.
Quem é fã da Legião Urbana - e mesmo quem não é, aposto que já ouviu, pelo menos, uma vez na vida - e prestou atenção nessa canção.
E assim é o filme. Como a vida de muitas pessoas, que enfrenta dramas, dores, preconceitos, oportunidades (boas ou ruins), alegrias e amores.
Há alegria, e há sofrimento.
Há violência, e há amor.
Há riqueza, e há miséria.
Há estudantes universitários, e há analfabetos.
Há o branco e o preto, que se tornam um só, em cenas muito excitantes.
Caminhos paralelos, transversais ou opostos que se cruzam. Isso é a vida.
Somos nós que guiamos e direcionamos o caminho.
O fim não é quando a estrada acaba.
*Jeanine de Moraes

QUEM CANTA, DANÇA, ESCREVE... SEUS MALES ESPANTA.


Adoro poesia e musicalidade. Sou apaixonada por boa música, daquelas com letras marcantes, que ficam martelando - no bom sentido - na nossa cabeça.
Amo música que emociona, que me faz pensar.
Como diz aquela canção do Renato, “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar pra pensar na verdade não há.”
Eu me identifico e concordo com ele.
Isso não é um pensamento depressivo, vejo sim, como reflexivo. Até de certa forma, positivo e estimulante.
Sim, estimulante, claro!
E se hoje for o último dia da minha vida? Fim e ponto final. Acabou.
Ficarão as lembranças, fotos, vídeos, recordações, alguns escritos (quem sabe um livro), uma saudade e pronto. Game over!
Não tenho medo de morrer. Mesmo perdendo muita gente importante, eu não tenho medo da morte. Nem da vida.
Viver é bom demais! O ser humano é que complica.
Ambição, adquirir, ter cada vez mais... Infelizmente a grande maioria das pessoas não valoriza o que tem, e sim sonham e trabalham demais para suprir o consumismo. E, por vezes, cansadas e desanimadas, não aproveitam o momento de lazer.
E o amor? É gratuito! Quem te ama de verdade é pelo que tu és, e não pelo que tu tens.
Como em outra canção “é preciso saber viver”. Sobreviver é simples, viver é preciso.
Passamos por dificuldade, mas há dificuldade para todo mundo.
É preciso dar atenção aos sinais. Nosso corpo vive nos alertando. São as dores aqui ou ali, as pressões e angústias, aquele frio na barriga, aquele calor intenso, sensação de sangue fervendo nas veias.
Cante, dance e solte as emoções.
Faça a sua história. Se sua vida não está um romance, faça dela um poema. Quem sabe uma reggae, um samba, até um funk, se assim fizer você feliz.
“Viver... e não ter a vergonha de ser feliz! Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz...”
*Jeanine de Moraes

TEMPO DE RASGAR, TEMPO DE COSTURAR.


Apesar da escravidão do relógio, sempre chega o tempo de darmos um tempo ao nosso, tão valioso: tempo.
Com o tempo vamos aprendendo que ganhamos muito mais calados e ouvintes.
Quando jovens temos todo o tempo do mundo, mas pouca maturidade, e certa rebeldia, que não nos permite valorizar a importância deste.
Quando adultos, trabalha-se (e nos ocupamos) tanto, que o tempo voa.
Quando idosos, o tempo de cada dia é de fato um presente, que pode ser o último.
Quem viveu melhor o seu tempo?
Não há uma única resposta.
Mesmo que a vida pareça tão repetitiva, ainda somos os mesmos? Ainda somos os mesmos, e vivemos como os nossos pais? Grande Elis Regina nos questiona.
Nascer, crescer, namorar, amar, odiar, casar, procriar, estudar, trabalhar, descansar, viajar, relaxar, construir, reformar, rasgar, costurar, rir, chorar, brigar, perdoar, sonhar, realizar, viver e morrer.
Nem sempre a vida nos proporciona as melhores opções, ou fazemos as melhores escolhas.
Há o tempo de plantar. Mas plante o que gostas, e o que esperas colher. Nem sempre dará bons frutos, nem sempre o tempo ajudará.
É preciso muito cuidado. É preciso zelo, atenção e valorizar esse tempo despendido.
A grama do vizinho parece tão mais bonita que a sua?
Então, aproveite o seu tempo e trate de cuidar do seu jardim.
A única certeza é que é de que o seu (o meu e o do vizinho) tempo acabará.
Viva! Tenha coragem de consertar os erros. Assuma seus problemas. Pois a vida não se mede por quanto tempo você respirou, e sim, pelas vezes que você perdeu o ar!
Coisas de valor, rasgadas com o tempo, merecem serem costuradas. Quem sabe customizadas?
Você poderá comprar algo novo, mas terá o mesmo valor?
*Jeanine de Moraes

Devaneios Poéticos: "CADA UM TEM O SEU TEMPO, MAS NÃO O PERCA."


Depois de uma deliciosa viagem em meados dos anos 90, retornei do túnel do tempo, e me debrucei na janela da vida, e vi, além de uma tarde nublada e cinzenta, recordações um tanto nostálgicas, porém atuais e muito intensas. Deu nisso: segue um poeminha sentimental, nesta segunda-feira, 17 de junho de 2013.

CADA UM TEM O SEU TEMPO, MAS NÃO O PERCA.
O tempo é necessário
Para pensar,
Para perdoar e
Para esquecer.

Não fique apenas pensando e
Esperando o tempo agir sozinho,
Ou que coisas boas aconteçam.

Faça acontecer.
Você está no controle do
Seu próprio destino.

O tempo passa...
... um dia PLUFT !
*Jeanine de Moraes

AUTOCONSCIÊNCIA E AUTOGESTÃO

Partindo destas palavras complexas podemos chegar perto da compreensão de ações e reações, ou seja, a inteligência emocional.
Não sou eu quem afirma isso, são os Neurocientistas. É a ciência que comprova. Tendo conhecimento dos fundamentos da base neurológica (e aplicando-os) o homem é capaz de expandir sua mente.
Isto quer dizer que, nosso cérebro racional e nosso lado emocional estão ligados diretamente. A prática do desenvolvimento de habilidades contribui para o desempenho cognitivo e emocional.
“Estas são as bases do autodomínio: consciência de nossos estados interiores e gestão desses estados. Estes domínios de habilidades são os elementos que fazem de alguém um executante individual extraordinário em qualquer área de desempenho.”
Esta citação é do Psicólogo Daniel Goleman, retirada do livro “O Cérebro e a Inteligência Emocional: Novas Perspectivas”, da editora Objetiva, 2012.
Simples e complexo. Assim como a vida é. Só que não damos a real importância a isto.
Livros, artigos, cursos, palestras, workshops... há tantos meios de aprimoramento.
Porém, goela abaixo só remédio mesmo, e olha lá.
Eu sempre me interessei pelo tema espiritualidade, relacionado ao bem estar. Na verdade eu sempre tive, e tenho, interesse pelos mais variados temas, principalmente aqueles ligados ao comportamento humano, especialmente em busca de respostas que nunca cessam em meus pensamentos e devaneios, e em busca do meu autoconhecimento.
Por uma maravilhosa indicação, a leitura do livro citado, foi muito valiosa. Este livro informa termos técnicos, porém, em uma linguagem simples e direta, apresenta algumas descobertas essenciais que acrescentam novas informações ao que entendemos como inteligência emocional, além de aplicações desse conjunto de capacidades.
Recomendo a leitura aqueles que buscam aprofundar o conhecimento sobre IE, com exemplos e dicas para aplicar de forma mais eficiente as reflexões nas ações do dia-a-dia.
Como nunca se fala em aprimoramento e melhorias, ou seja, na Gestão da Qualidade, seja no âmbito pessoal, nos livros de autoajuda, e principalmente no profissional.
Surgem cursos e treinamentos muito diversos nesta área.
Ínfimos treinamentos sobre a autodisciplina, que nada mais é que uma competência, extremamente complexa, que bem trabalhada é uma ferramenta para autoconfiança e a mudança de atitude.
Falasse muito em autodisciplina no pensamento, na gestão do tempo, aprendizado contínuo, e por aí vai...
São muitos cursos que objetivam a capacitação para que se desenvolvam os processos, servindo para planejar, mensurar, analisar ações corretivas, preventivas e de melhorias no mercado de trabalho.
Profissionalmente as pessoas buscam atualização e têm interesse na aquisição do conhecimento.
E área emocional e a saúde, como estão?
Viver bem não é, nem nunca será, ter o melhor cargo. Cifras na conta são necessárias para sobreviver.
O status não determina quem você é, e sim, como você gerencia suas atitudes.
Isso é qualidade de vida.
E assim, como afirma o ph.D. Daniel Goleman, utilizo mais uma afirmação que vale compartilhar, que “O cérebro continuamente se renova de acordo com as experiências que temos.”
Vale refletir, e principalmente agir, conforme disse James C. Hunter, que a prática vira hábito, ou seja “Pensamentos viram ações, ações viram hábitos, hábitos viram o caráter. E o caráter vira o destino.”
Uma dica muito boa, para quando você começar a ficar incomodado, é refletir na autoconsciência e autogestão, ou seja, lembre-se do semáforo:
Luz vermelha, pare! Amarelo: acalme-se... e pense antes de... Agir: verde!

*Jeanine de Moraes

CORAGEM


A palavra medo é tão pequena, porém de um significado gigante. É um sentimento que tem dois lados. Extremamente ambíguo, pois é duvidoso, enigmático, impreciso, incerto, indeterminado, por vezes problemático e dúbio.
É positivo, quando te segura e não deixa fazer coisas grotescas, como, se arriscar na ultrapassagem entre dois caminhões em cima de uma ponte a 140 quilômetros por hora. Se bem que isso é outra coisa, a pessoa que se arrisca desse jeito não é só corajosa, é burra.
E o medo é negativo quando te deixa amarrado, acovardado e inseguro.
Devemos ter coragem e encarar nossos medos. Devemos enfrentar os temidos fantasmas. Se não, será muito difícil evoluir.
Eu já fui muito tímida. Não abria a boca pra nada. Extremamente quieta e observadora. Fui uma criança que tinha medo que os colegas rissem de mim, que a professora me chamasse a atenção. Eu tinha um tremendo medo de falar, o que dirá ler na frente da classe.
Na pré-adolescência, depois de ter vivido um grande trauma – que foi a morte trágica do meu pai – eu tinha medo de ser o assunto, pois sempre que eu chegava a algum lugar, me olhavam pelo canto do olho, apontavam, cochichavam e até mesmo, indelicadamente, perguntavam-me sobre o fato.
Coisa mais triste! Além da dor da perda, eu enfrentava a dor das atitudes das pessoas, que agiam sem querer ou querendo.
Num belo dia fiz 13 anos, e no dia seguinte aqueles 12 anos de menina ficaram apenas nas lembranças. Duramente amadureci e segui enfrentando outras perdas e dramas.
Se antes eu era medrosa, a dor me ensinou a encarar o sofrimento, e, se não fosse por mim, jamais sairia do meu mundo solitário.
Na adolescência felizmente eu mudei. Ao poucos, mas mudei. Estudar noutra cidade, conhecer pessoas novas, e ser uma completa desconhecida foi importante para a lagarta sair do casulo e tornar-se uma borboleta.
A morte me ensinou a dar valor à vida. A fome me ensinou a gostar de qualquer tipo de comida. O medo me ensinou a ter coragem.
Posso afirmar que de tão solitária (e curiosa) tornei-me uma autodidata na análise da mente humana. Sempre me interessei em tentar entender o porquê de determinadas atitudes nas pessoas. Uma analista tabajara para tentar compreender os outros, porque entender a mim, isso não é muito fácil até hoje. É muito mais difícil analisar quem se é.
A solidão dói, mas ensina.
Em maio de 2012, depois de muita vontade, medo, ter adquirido coragem, e o plano de saúde cobrir, iniciei terapias com uma psicóloga profissional. Digo profissional, porque felizmente eu tenho minhas psicólogas particulares – grandes amigas, cada uma única e especial, como meus 5 dedos da minha mão direita – que estão sempre de plantão, quando, como ou onde estiverem, e que são de extremo valor, como quem estudou para esta profissão.
Porém, com a ajuda da minha terapeuta eu resgatei dores e novamente enfrentei fantasmas que, por muitos anos, eu tentei esquecer.
Compreendi que eu devo e posso enfrentar meus medos. Não adianta escondê-los ou disfarça-los. A melhor forma de evoluir é entendendo, aceitando e agindo para mudar.
Não sou exemplo de nada, mas me orgulho pelo meu empenho em ser quem sou e estar onde estou por esforço, dedicação e mérito meu. Felizmente conheci ótimas pessoas, a quem tenho grande respeito, carinho e gratidão.
Quando não se tem bons exemplos ou apoio, devemos usar os maus exemplos como modelo... do que não queremos para nós.
O passado faz parte da nossa história, porém somos os autores da nossa vida. É preciso ter coragem – ou pedir ajuda – para ser feliz, compreendendo que a tristeza, a perda, a dor e o sofrimento são para serem enfrentados, superados e para nos fortalecer.
Eu aprendi a encarar meu medo, e que quando eu ascendo a luz, o bicho-papão desaparece. De vez em quando eu durmo com a luz acessa, e continuo sonhando... acordada.
Não tenha medo. Tenha fé.
*Jeanine de Moraes